Economia
Compra de materiais escolares é marcada por grandes variações de preços
Além do reajuste anual, alguns itens básicos têm diferença de valores que chegam a 800% conforme a escolha entre as marcas
Carlos Queiroz - DP - Aulas da rede pública de Pelotas começam em 15 dias
Por Victoria Fonseca
victoria.fonseca@diariopopular.com.br
(Estagiária sob supervisão de Vinicius Peraça)
A menos de uma semana para o início das aulas na rede particular e 15 dias da rede pública de ensino em Pelotas, os corredores de grande parte das papelarias estão lotados de pais e estudantes à procura dos melhores preços para a compra de materiais escolares. O reajuste de valores é somado ainda à grande diferença de preços entre os mesmos itens de marcas diferentes. A caneta esferográfica, por exemplo, apresenta uma variação que chega a 500%, conforme levantamento do Procon.
Para muitas pessoas, o início do ano é época de ir atrás de cadernos, mochilas, canetas e uma série de produtos que compõem as listas de materiais pedidas pelas instituições de ensino. Nesse momento, para aqueles que desejam economizar, principalmente pais com mais de um filho em idade escolar, uma ampla pesquisa e paciência são indispensáveis.
Em uma loja de bazar que também comercializa no ramo da papelaria, Jordana Macedo era uma das clientes que avaliava os preços na enorme pilha de cadernos. Ontem já era o segundo dia que a técnica em radiologia visitava estabelecimentos do Centro da cidade em busca de materiais para a filha Ana Lúcia. N0 6º ano, a menina precisará de 11 cadernos de uma matéria cada. "Aqui a gente tem achado os melhores preços", relata.
A pesquisa realizada por Jordana é uma tarefa ainda mais necessária neste ano. Em comparação a 2022, o menor preço da unidade de alguns itens mais do que dobrou. Outro aspecto que também merece muita atenção é a diferença de valores entre marcas, questão que motivou alerta do Procon de Pelotas. O mesmo lápis, por exemplo, tem o valor variando entre R$ 0,80 e R$ 7,90, mais de 800% de variação. O caderno de 96 folhas chega a 300% de diferença, podendo ser encontrado por R$ 9,90 até R$ 42,90. Já o estojo é o material com maior discrepância. Enquanto uma marca do item custa até R$ 99,00, outra pode sair por R$ 4,90.
Variação de preços de materiais escolares
ITEM MAIOR PREÇO MENOR PREÇO
Estojo R$ 99,90 R$ 4,90
Lápis preto R$ 7,90 R$ 0,80
Caderno capa dura 96 fls R$ 42,00 R$ 9,90
Caneta esferográfica R$ 10,00 R$ 1,50
Lápis de cor 12 cores R$ 31,00 R$ 4,90
Borracha R$ 11,00 R$ 0,60
Cola branca 90g R$ 13,90 R$ 3,49
Corredores lotados
Gerente da loja em que Jordana comprava, Fernanda Nunes diz que o movimento de clientes é notável desde o início de janeiro, mas que o aumento intenso começou em fevereiro. Os corredores lotados são o cenário do dia inteiro. Ela mensura ainda que, por se tratar de um comércio que compra os materiais escolares por atacado, foi possível manter os preços próximos aos valores de 2022. "Este ano a procura está ainda maior, agora que o fluxo está normalizando mesmo", compara, em relação ao impacto da pandemia.
Pesquisa e verificação
O quadro é ressaltado ainda pelo professor de Macroeconomia do Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da UFPel, Marcelo Passos. O especialista explica que nesta época do ano os preços dos materiais escolares sempre sobem um pouco acima da inflação, mas que é necessário realizar ampla pesquisa de valores, pois há papelarias em que o índice é muito maior que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Com isso, Passos ressalta que a melhor alternativa é optar por atacados e lojas maiores. "Que tem os preços mais convidativos em função dos descontos que possuem junto aos fornecedores", complementa.
Livros escolares
Para a compra de livros didáticos, o economista dá uma dica valiosa: verificar se a publicação atual da obra solicitada pelas escolas tem a mesma edição dos anos anteriores. "Se forem utilizar a mesma edição de 2022 agora em 2023, vale a pena comprar o item usado. Vai na internet e compra, desde que tenha boa qualidade. Porque aí não tem diferença." Passos afirma que essa estratégia garante boa economia, já que as maiores despesas de itens escolares são os livros.
Novos comportamentos
"São muitos orçamentos, pessoal pesquisando preços", relata Vinícius Matheus, gerente de uma papelaria, sobre o perfil dos clientes. Trabalhando no ramo há 14 anos, ele diz que nos últimos anos as vendas pela internet modificaram o comportamento dos compradores. Agora, as vendas pelo WhatsApp do estabelecimentos são comparáveis às presenciais. Apesar de no início do ano letivo as crianças e adolescentes gostarem de escolher pessoalmente os materiais, o aplicativo está sempre cheio de mensagens com questionamentos sobre valores.
No entanto, os avanços da tecnologia também trazem desvantagens, as vendas de itens mais caros como mochilas despencaram cerca de 80%, conforme Matheus. "Porque o pessoal busca na internet, recebe rápido em casa e facilidade de parcelamento", analisa.
(BOX)
Fique atento: materiais que não podem ser cobrados
Conforme o Procon Pelotas, materiais de uso coletivo, como produtos de higiene e limpeza, copos, canetas para quadro branco, giz e outros itens utilizados pela escola para manutenção e conservação não podem ser exigidos na lista de itens a serem adquiridos pelos alunos.
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